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sábado, 20 de setembro de 2014


Marina Silva virou vidraça há mais ou menos um mês. Com chances reais de garantir a vaga no segundo turno, e lá bater a presidenta Dilma Rousseff, a candidata do PSB, após substituir o presidenciável Eduardo Campos, morto em um acidente de avião, sente na pele as dores e as delícias do protagonismo e da megaexposição.
Assustados, os adversários tentam colar nela a pecha de uma candidata dúbia, sem posição definida sobre as leis trabalhistas, a Anistia e os direitos humanos, e com propostas de gosto duvidoso sobre a exploração do petróleo na camada do pré-sal e a independência do Banco Central.
A artilharia parece provocar efeito. Desde o dia 29 de agosto, quando atingiu 34% das intenções de voto no Datafolha, Marina oscila mas não cai. Agora caiu. Na última pesquisa do instituto, divulgada na quinta-feira 18, ela já aparecia com 30%, sete pontos percentuais atrás de Dilma e 13 na frente de Aécio Neves, de quem já teve margem de distância de 20 pontos.
O enquadramento da candidata parece claro, mas dele é possível tirar duas leituras. Uma é que, de fato, a candidatura da ex-senadora está encolhendo. Se a tendência se confirmar, Dilma e Aécio terão cerca de 15 dias e tempo de tevê de sobra para reforçar a artilharia e fazer com que a rival chegue à data-limite da eleição fragilizada e sob risco de ficar de fora do segundo turno – o sonho de consumo tanto de petistas como dos tucanos.
A outra leitura é que, diante da artilharia e do tempo disponível para se defender, o tombo ficou de bom tamanho. Por essa lógica, se em 30 dias nenhum tiro alvejou o peito da candidata, os disparos não devem provocar maiores estragos até 5 de outubro. Afinal, com o cenário das atuais candidaturas consolidado, Aécio jamais passou da linha dos 20 pontos. E Dilma jamais atingiu os 40. Marina está atrás de Dilma, ainda a venceria no segundo turno, e tem vantagem considerável, embora nunca segura, em relação ao terceiro colocado.
Qualquer mudança nesse quadro pode depender, a partir de agora, mais dos esforços dos candidatos em seus redutos do que da desconstrução em curso da ex-ministra. É a chamada correção de rotas. Aécio retoma fôlego em Minas, onde até ontem aparecia em terceiro lugar e agora promete não cochilar. Marina, que em um mês viu a rejeição à sua candidatura dobrar, já não é a favorita no Sudeste nem entre os jovens. Dilma, por sua vez, segue nadando de braçada no Norte e no Nordeste, onde o rival tucano já jogou a toalha. Mas terá dificuldades se não encurtar as distâncias em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País.
É possível uma reviravolta a essa altura do campeonato? É difícil. No estafe tucano, os apoiadores de Aécio lembram da desidratação da candidatura de Celso Russomano, do nanico PRB, em 2012. Fernando Haddad (PT), que acabou eleito, começou a subir mais ou menos nessa época da disputa. Mas São Paulo não é o Brasil e o PSB não é o PRB, embora não tenha a mesma base e militância de tucanos e petistas.
Nas últimas eleições presidenciais, apenas em 2002 houve uma mudança como a esperada pelos tucanos. Ainda assim não tão brusca. Ciro Gomes, então candidato do PPS, chegou a encostar em José Serra (PSDB) com cerca de 20% dos votos em meados de julho, mas viu a rejeição do eleitor disparar após dizer que a atriz Patricia Pilar, com quem era casado, tinha como única missão na campanha “dormir com ele”. No fim de setembro, Ciro tinha 13% das intenções de voto no Datafolha. Terminou com menos de 12%. Naquela disputa, entretanto, havia quatro candidatos competitivos. Garotinho, que empatava com Ciro no fim de setembro, encerrou a eleição com 17%.
Talvez a melhor inspiração para os tucanos seja o desempenho da própria Marina Silva, então no PV, em 2010. Mais ou menos nessa época de setembro, ela figurava no Datafolha com 11% das preferências dos eleitores. Terminou a corrida, 15 dias depois, com 20% dos votos. Não chegou a mudar a ordem de chegada, mas causou estrago suficiente para forçar o segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra.
Por isso a análise, a essa altura, exige cautela. Qualquer oscilação a partir de agora pode provocar um tsunami até 5 de outubro. Só não se sabe para onde a onda oscila. Nem qual lado pode ser engolido.
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