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sábado, 28 de março de 2015


Manter contas bancárias no exterior não é crime. Crime é possuir as contas e não declará-las à Receita Federal - o que configuraria, no mínimo, evasão de divisas. Simples assim. No Brasil, porém, nem sempre as coisas simples são tratadas como tal. A depender da vontade dos que estão no poder, de repente um rato pode virar elefante. Ou vice-versa. Desde a chegada do PT ao Palácio do Planalto, sempre que o partido está acuado por algum escândalo a receita é a mesma: criar, ainda que artificialmente, mais um escândalo, de modo a mostrar que os petistas não inventaram a corrupção. E são, na pior das hipóteses, iguais aos outros. Foi assim no mensalão e em outras tramoias de menor proporção que eclodiram nos últimos anos. E precisava ser assim também no bilionário escândalo de corrupção da Petrobras. Em setembro do ano passado, quando começavam a ruir as bases do esquema da estatal, ministros do governo souberam da existência de uma lista com o nome de milhares de brasileiros que manteriam contas bancárias no exterior. A relação incluiria adversários políticos. Era o que faltava.
A matéria-prima para o novo escândalo era farta: uma lista de 106 000 clientes de 203 países que movimentaram 100 bilhões de dólares em contas do HSBC na Suíça. Ao suspeitar que por trás dessas contas poderia haver fraudes, evasão e lavagem de dinheiro, um ex-técnico de informática do banco resolveu entregar a lista a uma associação sediada em Washington que reúne um grupo restrito de jornalistas de várias partes do mundo. A ideia era que esses jornalistas pudessem investigar as suspeitas de irregularidades envolvendo a movimentação do dinheiro nas contas da Suíça e, a partir daí, publicar reportagens com o resultado da apuração. O caso ficou conhecido como SwissLeaks. Do rol de clientes, 8 667 são brasileiros em cujas contas passaram 7 bilhões de dólares.
Para identificar sonegadores e outros criminosos, era preciso cruzar as informações da lista com as declarações de renda dos correntistas, um trabalho extremamente difícil, já que dados fiscais são protegidos por segredo.
A lista em poder dos jornalistas, pelos nomes que ela podia trazer e pelo potencial de causar estragos em biografia de adversários, virou alvo de cobiça. Primeiro, houve uma enorme pressão para que os repórteres brasileiros que integram a associação de jornalistas investigativos - e, por essa razão, tiveram acesso privilegiado à lista vazada pelo ex-funcionário do HSBC - divulgassem os dados sem nenhuma apuração. A ofensiva ocorreu no campo da internet. Como não deu certo, figuras importantes do governo passaram a agir diretamente.

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