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domingo, 28 de setembro de 2014


Sucessivas pesquisas de opinião feitas nos últimos anos apontam a saúde, a segurança e a educação como as maiores prioridades do eleitor. Mas, em um país com dimensões continentais como o Brasil, a inevitável limitação do debate eleitoral pode esconder necessidades muito mais complexas – e nem sempre captadas pelos candidatos. O site de VEJA analisou números e ouviu moradores de todas as regiões do páis nos últimos três meses para identificar os principais desafios que aguardam os próximos governantes nas 27 unidades da federação. Apesar das diferentes demandas, uma conclusão é clara: temas como a independência do Banco Central, o casamento gay e a política externa, debatidos à exaustão nas propagandas dos candidatos à Presidência, não estão entre as prioridades do eleitor. 
Moldado por marqueteiros, formatado para evitar deslizes e elaborado em escritórios distantes do Brasil profundo, o discurso dos candidatos muitas vezes não tem conexão com as prioridades da vida real. Um exemplo desse descompasso é a redução da maioridade penal: mais de 80% da população apoiam a mudança; os candidatos, entretanto, dão pouca atenção ao tema. Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) são contra a alteração; Aécio Neves (PSDB) é a favor de uma mudança tímida na legislação e dá pouca atenção ao tema.
O mesmo vale para a saúde: há poucas propostas definitivas para a resolução do problema além da construção de novas unidades - como o dinheiro disponível vai ser praticamente o mesmo independentemente do candidato vencedor, o eleitor tem poucos elemtentos para diferenciá-los nesse quesito. O debate sobre o modelo de gestão ou de partilha dos recursos fica em segundo plano.
Na educação, os gestores parecem pouco preocupados em incentivar o mérito e formar alunos em condições de excelência – exatamente o que o eleitor espera para seus filhos. A falta de apreço pelo tema é suprapartidária. Em São Paulo, o PSDB extinguiu a repetência escolar para valorizar a "inclusão" em vez do aprendizado. O PT defende a implementação inclusão, no currículo, de temas pouco relevantes para a formação intelectual do aluno, mas eficazes para a formação de esquadrões de alunos "socialmente conscientes" – pelos critérios do partido.
Basta ouvir os eleitores para notar de forma clara aquilo que os protestos e junho do ano passado expressaram de forma difusa: os gestores públicos têm fracassado no exercício de tarefas simples.
Edweyne Matos é dono de um box no Mercado Ver-o-Peso, em Belém (PA). Ele costuma sair de casa às 5h30 da manhã para trabalhar; mas, até dois anos atrás, a rotina começava mais cedo, antes das 5h. Até que ele foi assaltado na porta de casa, por dois rapazes que chegaram em uma moto e lhe apontaram a arma. Edweyne passou a sair de casa quando a luz do sol começa a surgir. "A violência aqui está fora de controle, mesmo nas áreas que eram consideradas seguras", diz ele, que não prestou ocorrência do assalto por não ter qualquer esperança no trabalho investigativo da polícia.

A 2.700 quilômetros dali, em Venda Nova (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, a vendedora Laudeene Silva se queixa do atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da região onde vive. Ela levou o sobrinho de nove anos a um desses centros e teve de esperar horas até que a consulta fosse realizada. "Para mim, a saúde é o problema mais grave", diz ela.

Nas pequenas cidades, fora dos grandes aglomerados urbanos, os problemas são parecidos; o fluxo migratório e a prolferação das drogas tornou muitas cidades do interior problemas semelhantes aos das capitais. Cosmópolis (SP), que fica numa região produtora de cana, é um exemplo. Recentmente, a região passou por um processo de automatização da colheita, o que deixou muitos cortadores desempregados. Simultaneamente, o aumento no consumo de crack gerou uma elevação na criminalidade. "A violência cresceu nos últimos anos e acredito que isso se deve, em partes, a quantidade novos moradores que a cidade recebe a cada ano”, diz, desesperançoso, Anício Rocha, dono de um restaurante na cidade.
Heitor Feitosa/VEJA.com
Anício Rocha, de Cosmópolis: insegurança
As principais reivindicações dos eleitores parecem ter mudado pouco nos últimos anos. No sertão, a estiagem continua sendo a maior inimiga da população. Sebastião Bezerra Loiola, 67 anos é pescador aposentado e mora em Forquilha (CE). Ele se queixa de como os efeitos da seca não são resolvidos, apesar das promessas constantes: “Este ano não vou votar. A cada quatro anos, ouvimos promessas de que vão trazer a água de volta, mas a chuva não vem, os políticos não trazem os sistemas de abastecimento que prometem e a seca só aumenta. Eu costumava pescar em alguns açudes da região. Hoje todos estão secos”, afirma ele.
Na outra ponta do Brasil, são as incertezas da economia que preocupam a pedagoga Jussara Rissi. Moradora de Sapiranga (RS), na região metropolitana de Porto Alegre, ela diz que os empregos na região tem sido ameaçados."O setor calçadista era muito importante por aqui, mas a concorrência dos chineses tem prejudicado as empresas", diz. O Rio Grande do Sul tem perdido competitividade nos últimos anos, o que teve um impacto sobre a renda per capita estadual.
Ivan Pacheco/VEJA.comSebastião Bezerra Loiola, 67 anos, pescador aposentado. Morador de Forquilha, próxima a Sobral
O cearense Sebastião Bezerra Loiola não vê solução para os efeitos da seca
Foco - O cientista político Carlos Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que os debates sobre temas etéreos não são inúteis: eles têm como objetivo a conquista do eleitor com mais anos de estudo. "O eleitor de menor escolaridade talvez não saiba nem o que significa Banco Central. A principal preocupações são relacionadas ao seu dia-a-dia", afirma. 
O professor já coordenou uma pesquisa que avaliou o que influencia a escolha do eleitor. A conclusão é essa: mesmo o cidadão com menos anos de estudo não vota apenas por causa de uma ou outra característica isolada do político A corrupção, por exemplo, tem um impacto significativo quando há uma decisão judicial desfavorável ao candidato. Mas, dependendo das realizações, o efeito é anulado: "Os gastos do prefeito com saúde, educação, casa popular e mobilidade urbana têm um efeito que faz desparecer o efeito negativo da corrupção sobre o voto", explica.
Enquanto os candidatos trocam acusações mais ou menos pertinentes no horário eleitoral, há 200 milhões de brasileiros esperando soluções concretas que lhes permitam uma vida mais segura e autônoma. Para resolver problemas de pessoas como Edweyne e Laudeene, Anício, Sebastião e Jussara, os novos governadores e o próximo presidente precisarão de muito mais do que peças bem feitas de propaganda. Caso contrário, as reivindicações da população continuarão sendo as mesmas em 2018.
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