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sexta-feira, 14 de março de 2014

Juazeiro do Norte. Mesmo após de 125 anos do 'milagre da hóstia' e 95 do túmulo destruído, os restos mortais da beata Maria de Araújo ainda continuam sendo motivo de especulação do seu paradeiro. Até mesmo intervenções artísticas nas ruas da cidade já ocorreram, com cartazes expostos com a foto da religiosa, em procura da mulher que teve a hóstia transformada em sangue em sua boca, ofertada pelo Padre Cícero.
Recentemente, e mais uma vez, veio à tona o caso de uma mulher sepultada no sítio Pavão, entre Aurora e Missão Velha em que moradores admitem ter sido a beata. Moradores da localidade chamam a atenção de uma capela, onde se encontra o suposto túmulo onde foram colocados os restos mortais da beata. As terras onde hoje se encontra a sepultura pertenceram ao Padre Cícero foram repassadas aos salesianos. A posse da área agora pertence a várias famílias.
Para muitas pessoas da localidade, esse caso se tornou um grande segredo. Os moradores do sítio Pavão acreditam piamente no local, como sendo o túmulo da beata. Ao lado se encontra uma cruz de madeira e um oratório, com a imagem do Padre Cícero. Para Alonso Joaquim dos Santos, proprietário da pequena faixa de terra onde está construída a capela, o local do túmulo é sagrado e deveria receber romeiros, como em Juazeiro. Antes de ter sido aberto, o túmulo da beata Maria de Araújo era na Capela do Socorro, local onde também está sepultado o Padre Cícero.
Foi lá que pouco depois de ser sepultada e começar a atrair um público significativo, que os restos mortais sumiram misteriosamente. Ao final de sua vida, a mulher negra, pobre, costureira, beata, ficava em sua casa nas proximidades de onde é hoje o consultório de Geraldo Barbosa, também escritor e pesquisador da vida do religioso e da história de Juazeiro. Com quase 90 anos de vida, ele lembra momentos da vida da religiosa, na antiga rua do Arame.
Polêmica
Para ele, a história da beata foi interrompida, ficou envolta ao grande mistério. Ela continuou sendo cuidada pelos sobrinhos, e recebia a visita do Padre Cícero. Rezava e se penitenciava pelos vivos e os mortos. Maria de Araújo passou a ter sérios problemas intestinais e na época levantou-se a suspeita de que teria sido envenenada. Morreu em 1913, às vésperas de uma grande guerra, de 1914, em Juazeiro do Norte, que ficou conhecida como Sedição de Juazeiro.
A polêmica do 'Milagre da Hóstia' se espalhou pelo Nordeste e levas de romeiros começaram a chegar na cidade juazeirense. A primeira delas veio de Crato. A romaria precursora de apoio à causa teve à bênção do sacerdote, que jamais abandonou a ideia do ocorrido com a beata, ser relacionado a milagre.
Para a estudiosa Maria do Carmo Pagan Forti, havia uma relação de grande confiança do Padre Cícero com a religiosa, por ele conhecê-la muito bem. "Ela tinha uma relação muito próxima com Deus, de entrega e dedicação à igreja". Por longos anos, a história acerca do milagre permaneceu sem muitas abordagens, vindo à tona com maior ênfase a partir dos trabalhos desenvolvidos pela pesquisadora, que por mais de 30 anos realiza pesquisas envolvendo a beata, já tendo defendido teses de mestrado e doutorado sobre o assunto.
Mas o caso da violação do túmulo é questionado também por pesquisadores como Daniel Walker. Segundo ele, até hoje não é possível afirmar com absoluta segurança o responsável por mandar destruir o túmulo da beata, no interior da Capela do Socorro. Ele desmente a versão de muitos historiadores de que a ordem teria sido dada pelo bispo do Crato, dom Francisco de Assis Pires, que veio assumir o bispado somente em 1932. "Um documento registrado em cartório afirma que a ordem partiu do vigário de Juazeiro da época, no caso monsenhor José Alves de Lima", diz ele, ao questionar se o padre teria poderes para isso. Por constatar que em 22 de outubro de 1930, quando o túmulo foi destruído, não havia bispo no cargo, e nem substituído, então se chegou à conclusão de que não partiu do bispado.
Analisando por vários pontos a questão, Walker cita a possibilidade repassada pela professora Amália Xavier, já falecida, que foi contemporânea do Padre Cícero. Ela escreveu o livro "O Padre Cícero que eu Conheci", em que cita o vigário de Juazeiro do Norte, monsenhor José Alves de Lima. Conforme sua versão, o sacerdote, querendo preparar a capela para ser benta pelo sucessor do bispo dom Quintino, mandou derrubar o túmulo da beata para deixar o piso por igual. A sepultura da beata havia sido aberta na igreja a mando do próprio Padre Cícero.
Walker cita um documento particular com registro de 3 de dezembro de 1930, que destaca um vidro lacrado onde se acha tudo que encontrou-se na sepultura da beata no dia que foram retirados os seus restos mortais da capela. E ainda relata o nome do monsenhor José Alves de Lima, como a pessoa que ordenou clandestinamente a violação do túmulo. Mesmo com todas as evidências, o estudioso afirma que não existe nenhum documento oficial da igreja, ou da justiça, comprovando a sua ordem.

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